Uma palavra (ou duas) sobre Lean Manufacturing

Alguns passos importantes antes de mergulhar de cabeça na cultura da Produção Enxuta.

Esse é um post um pouco diferente do que costumo redigir. Decidi escrevê-lo porque encontrei um artigo muito interessante em um site chamado erpcommunity.com, cujos créditos detalho ao final.
De modo geral, os assuntos que são tratados aqui neste blog, fazem parte, mesmo que indiretamente, da vida rotineira das pessoas. Temas como marketing, administração, atendimento ao cliente ou motivação são de conhecimento geral ainda que em diferentes graus de profundidade dependendo de quem se depara diante deles. Apesar do título se referir a um tópico comumente tratado por profissionais mais ligados à sistemas de gestão da qualidade, procurarei abordá-lo de forma simples e direta. Então, se você não for alguém acostumado a percorrer o chamado “chão de fábrica”, não precisa se preocupar, serei seu humilde guia.

Estamos no Japão, nos anos imediatamente posteriores à II Guerra Mundial. A expressão “terra arrasada” pode muito bem ser aplicada a um país que foi derrotado e teve a experiência traumática de ter seu território atingido por duas explosões atômicas dizimando milhares de vidas e construções. O Japão do pós-guerra era um país com recursos extremamente limitados e, como tal, não podia dar-se ao luxo de desperdiçar qualquer coisa que fosse. Foi a partir dessa realidade que uma empresa automotiva chamada Toyota iniciou o desenvolvimento do TPS ou Toyota Production System (Sistema Toyota de Produção) com a ajuda de professores e engenheiros norte-americanos como William Deming, especialista em controle estatístico de processos aplicado à manufatura. O TPS foi tão bem-sucedido que rapidamente se espalhou pelo Japão e permitiu ao país uma recuperação econômica fantástica que perdura até os dias de hoje. O exemplo japonês foi levado a outras partes do mundo e passou a ser chamado de Sistema de Manufatura Enxuta ou simplesmente Sistema Lean. Diversas ferramentas e metodologias compõe o Sistema Lean como o Just-in-time (JIT), o Kanban, o 5S, Six-sigma, entre outros. Conforme prometido, não entraremos em detalhes sobre cada uma dessas ferramentas, o que você, caro leitor, precisa saber é que a “filosofia” Lean se baseia em um conceito muito simples:

Melhoria contínua dos processos e eliminação de desperdícios.

Apesar de sua descrição simples, o Lean exige muita disciplina e capacidade de execução (não podia ser diferente tratando-se de um sistema desenvolvido no Japão, certo?). Atualmente, a filosofia Lean é perseguida por diversas empresas que buscam aprimorar seus negócios, nos mais variados setores, não sendo mais uma prática restrita a empresas de manufatura.

Por se tratar de um conceito simples, mas de difícil implementação, muitas empresas enfrentam obstáculos severos em sua busca pela excelência. O primeiro ponto que quero destacar é que o Sistema Lean busca transformar empresas que já são boas em empresas ótimas. Se uma empresa apresenta problemas relativos a alta rotatividade de funcionários, falta de motivação, atraso em entregas e produtos/serviços de baixa qualidade, muito provavelmente há uma lição de casa que precisa ser feita o mais breve possível e antes que se decida implantar o Lean.

Conserte primeiro aquilo que é óbvio

Muitas vezes, os funcionários de uma empresa sabem exatamente quais os problemas que precisam ser resolvidos, apenas não possuem os recursos, o tempo ou o incentivo para fazê-lo. Se sua empresa produz um equipamento eletrônico que apresenta uma peça defeituosa, simplesmente substitua essa peça! Você não precisa do Lean para fazer isso.

Sobre o Six-Sigma

A metodologia Six-Sigma ou Seis-Sigma, ou ainda, 6-Sigma tem sido bastante procurada por empresas que buscam aprimorar a qualidade de seus produtos. Essa metodologia, entretanto, é utilizada para detectar e corrigir problemas complexos que geram variação em processos e que envolvem diversas variáveis. Conforme mencionado acima, muitas vezes os problemas estão na cara de todos e não necessitam de grandes análises para serem identificados e corrigidos.

Valorize seu pessoal

Empresas não produzem nada, seus funcionários sim. É claro que a infraestrutura e os recursos disponibilizados por uma empresa facilitam a seus colaboradores executarem suas tarefas, ainda assim, são pessoas que, em última análise, geram os resultados desejados. Investir no desenvolvimento de seu quadro de pessoal e criar um ambiente organizacional agradável e motivador é algo essencial para evitar a perda de talentos e forjar uma cultura voltada à excelência.

Desenvolva lideranças

Bons gerentes, aqueles que lideram, possuem um interesse genuíno no desenvolvimento de seus subordinados. Gerentes medíocres impõe sua autoridade por meio da força de seus cargos e acabam criando um ambiente ameaçador e tóxico, sem falar no risco de processos trabalhistas em casos mais extremos. Antes de pensar em implantar um sistema Lean, certifique-se de contar com um bom time de gerentes e supervisores que reúnam as características necessárias a um verdadeiro líder.

Pense e aja como se sua empresa fosse de Classe Mundial

Todos nós somos capazes de reconhecer uma empresa de classe mundial quando vemos uma. Uma oficina mecânica limpa, organizada, sem manchas de óleo pelo chão; uma loja bem iluminada, com produtos bem expostos; um restaurante com atendentes com uniformes impecáveis etc. Não é necessário um certificado na parede ou uma campanha de marketing que diga aos clientes que tal empresa cumpre esse requisito.

Tome decisões baseado na lógica e não na politicagem

Se você atingiu uma posição de destaque em sua organização, é provável que o fez devido a possuir uma boa formação acadêmica e um bom histórico profissional. Talvez conte com uma boa equipe de profissionais capazes de ajudá-lo a analisar os mais diversos tipos de problemas e situações. Não jogue isso fora! Diretores e gerentes tomam decisões capazes de afetar fortemente seus negócios (é para isso mesmo que eles estão lá) e isso exige reflexão, análise de cenários, avaliação de riscos e uma série de procedimentos fundamentados em fatos e dados. Se você decidir baseando-se em seu estômago é capaz de ter uma tremenda dor de barriga.

“Nada é menos produtivo do que tornar eficiente algo que nem deveria ser feito”
Peter Drucker

Espero que eu tenha conseguido prender sua atenção até o final deste artigo. Como vimos, o Sistema Lean, que também é chamado de filosofia Lean em uma visão mais abrangente, visa transformar a cultura de uma organização por meio de procedimentos e ferramentas voltados à otimização de processos e a eliminação de desperdícios. Nada poderia ser mais atual neste momento em que o mundo discute sobre o impacto das atividades humanas no meio-ambiente e os riscos potenciais ao nosso planeta que, por enquanto, é nossa única casa.

Esta artigo se baseou no texto original, em inglês, “Preparation for Lean Manufacturing” de Paulo Norton. Veja o artigo original em: https://erpcommunity.com/articles/preparation-for-lean-manufacturing

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