A crise acabou… e agora?

Calma! O título deste post ainda é muito mais um desejo do que uma constatação, mas temos visto movimentações, mundo afora, no sentido de voltar à normalidade.

Aliás, voltar à normalidade talvez seja um termo que dificilmente será usado novamente, ao menos não da forma como estávamos acostumados. Eu, pessoalmente, acho muito difícil acreditar que a humanidade manterá esse espírito colaborativo e de desprendimento material que tentam nos passar. Afinal, adoramos um shopping center e adoramos trocar de carro (quando possível, claro).

Do ponto de vista político, a China passará a ser vista com mais desconfiança do que já vinha sendo. O mundo percebeu que ficar dependente comercialmente de um único fornecedor de produtos não é lá muito recomendável e é provável que a maioria dos países reveja seus acordos internacionais.

Mas o objetivo deste texto não é discutir relações internacionais e sim a situação das empresas, especialmente dentro da realidade brasileira.

A pandemia causada pelo covid-19, uma variedade nova de corona vírus, é um problema de saúde pública. Fato. Entretanto, o problema não fica só nisso e, aos poucos, fomos percebendo os impactos causados também em outras facetas de nossas vidas como os aspectos sociais e econômicos. O isolamento social, seja ele voluntário ou coercitivo, tem provocado uma queda expressiva no consumo das pessoas com efeitos por toda a cadeia produtiva: comércio, indústria, escolas etc. Governos do mundo todo vêm buscando intervir para evitar a quebra generalizada de empresas e o desemprego maciço da população. Segundo previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB mundial cairá 3% em 2020. No Brasil, a queda prevista é de 5% também em 2020.

Temos testemunhado o fechamento de muitas lojas e pontos comerciais (dê uma olhada em sua vizinhança) e muitas fábricas brasileiras estão indo pelo mesmo caminho. É triste.

Toda crise um dia acaba. Toda crise oferece oportunidades. Toda crise deixa ensinamentos

Dificilmente a crise terminará em um dia específico. O mais provável é a retomada gradativa dos diversos setores de nossa economia, mas já está na hora das empresas pensarem quais deverão ser suas ações daqui para a frente. A seguir listo alguns pontos que devem ser atentamente observados por empresas de todos os portes:

MERCADO

Precisamos compreender que mudanças ocorreram no mercado. Cada empresa deve redimensionar sua base de clientes e observar se houve mudança nos hábitos de consumo. Devemos verificar que competidores ainda estão no jogo e quais aqueles que fecharam suas portas ou se retiraram de um determinado segmento. Com que parceiros ainda podemos contar e quais as novas condições de fornecimento (preços, prazos, qualidade e logística)?

MODELO DE NEGÓCIOS

Essa é uma boa hora para rever que segmentos são interessantes e quais aqueles que eram mantidos apenas por apego emocional ou pela inércia histórica da empresa. Que tipo de clientes desejamos atender? Quais os critérios de compra desses clientes? Que valor devemos fornecer? Durante a crise, muitas empresas desenvolveram ou aprimoraram seus canais de venda, sobretudo o comércio eletrônico, o delivery e o uso de aplicativos. Será que é interessante manter esses canais no pós-crise? Que novas fontes de receita foram descobertas?

ESTRATÉGIA

Para aqueles empreendedores ou empresários que sempre postergaram a elaboração de um planejamento estratégico formal, a hora é agora! Entender os novos paradigmas do mercado e buscar um posicionamento que permita obter vantagem competitiva sustentável fará toda a diferença daqui para frente.

OPERAÇÕES

Situações extremas costumam expor nossos pontos fracos. Essa crise colocou à prova algumas áreas de nossas empresas como a infraestrutura, a tecnologia e a logística, entre outras. Sua empresa adotou o home-office? Como foram os resultados? Será que é uma solução que pode adquirir caráter permanente? E como ficou o atendimento aos clientes (seja honesto!). Que lições podemos tirar dessa mudança forçada em nossas operações?

FINANÇAS

Excetuando a saúde, o impacto nas finanças é o aspecto mais visível dessa crise. Pessoas, empresas e países estão mais pobres. A busca pela redução de custos e despesas levou empresas a demitir funcionários, reduzir salários e deixar de pagar fornecedores. Controlar o caixa passou a ser uma questão de sobrevivência e cada centavo importa. Se há alguma lição a se tirar de tudo isso — e que as empresas deverão levar muito à sério — é a necessidade de atenção especial a seus recursos financeiros.

“Se você quer algo novo, você precisa para de fazer algo velho”
Peter Drucker

Minha intenção neste post foi muito mais provocar algumas reflexões do que oferecer soluções. Afinal, cada empresa e cada profissional vêm enfrentando a crise de uma forma diferente e dentro de suas possibilidades. O que deve ser observado, entretanto, é que as empresas que desejarem retomar suas atividades ou “voltar à normalidade” deverão analisar atentamente os aspectos listados neste post.

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